O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Prefeitura de Uberlândia, desenvolve constantes ações para combater a leishmaniose visceral canina (LVC). “Nosso trabalho vai desde a conscientização dos moradores até a utilização de armadilhas para captura dos mosquitos transmissores”, destaca a médica veterinária Márcia Beatriz Cardoso de Paula, coordenadora do Programa de Controle de Leishmaniose, do CCZ.
Um dos serviços oferecidos são as coletas e exames de sangue gratuitos dos cães. Estes atendimentos podem ser também domiciliares, quando solicitados. Após a coleta do sangue, o material é analisado no Laboratório de Sorologia, do CCZ, e o prazo médio para sair o resultado é de 15 dias. “Quanto é positivo, a solução recomendada por lei é eutanasiar o cão, que passa a ser um reservatório. Se o inseto picá-lo, vai se infectar e transmitir a doença”, disse Márcia Beatriz.
O CCZ também instala armadilhas em todos os bairros da cidade. O equipamento emite uma luz que atrai vários insetos e entre eles o vetor da LVC, o mosquito flebótomo (Lutzomyia longipalpis), contaminado pelo protozoário Leishmania chagasi. “A armadilha possui uma ventoinha que suga o inseto para um saco coletor. Quando encontramos o flebótomo, imediatamente começamos os exames laboratorias nos cães da região”, explica Márcia Beatriz.
De acordo com Márcia Beatriz, a LVC é uma doença parasitária, não contagiosa, incurável e não existe nenhuma vacina recomendada pelo Ministério da Saúde. Os cães contaminados podem demorar até dois anos para apresentar os primeiros sintomas de leishmaniose e por isso os donos devem ficar atentos. Se o animal apresentar-se anoréxico, sem fome, com os pelos caindo e as unhas crescendo de forma exagerada, pode estar com leishmaniose e precisa ser levado rapidamente ao veterinário. Os sintomas podem ser confundidos com de outras doenças, por isso é importante a consulta.
Quanto aos cuidados para evitar a leishmaniose, Márcia Beatriz explica que as pessoas devem manter limpas suas casas e quintais, deixando-os sem folhas secas, fezes de animais, restos de comidas e, se possível, ensolarados. “O cão pode ainda ser protegido com o uso de coleira, impregnada de deltametrina 4%, para o inseto não picá-lo”.
Centro de Controle de Zoonoses - Programa de Controle da Leishmaniose - Avenida Alexandrino Alves Vieira, 1423, no bairro Liberdade, (34) 3213-1470 (34) 3213-1470.